sábado, 12 de janeiro de 2013

RASGÃO URBANO PENAFIDELENSE



Gostaria de enviar uma mensagem à diáspora penafidelense, concretamente àquela que já não vem à sua terra natal há algum tempo e não sabe o que está a acontecer ao local onde viu o sol pela primeira vez. Penafiel está a ser assolado por uma onda destruição que jamais pensei que viesse a acontecer. Não sou arquitecto paisagista. Não sou arquitecto de coisa nenhuma. Arrumo as ideias e arquitecto as minhas opiniões consoante a minha sensiblidade que se manifesta sempre que se rasga uma ou outra página da história da minha terra. E já se rasgaram muitas. A pretexto de uma maior mobilidade, desabou sobre Penafiel, não uma necessária e justa regeneração, mas uma degeneração urbana que leva tudo à frente dela.  Se destrói passeios e jardins, ruas, largos e avenidas, também  constrói  quiosques, rotundas e pontes que só o mais cego político partidário aplaude. Querem transformar uma  cidade antiga numa coisa moderna. Ponham os olhos na foto que acompanha este texto e vejam o grau de confusão  que vai por algumas cabeças que mandam na minha terra. A pretexto de tornar Penafiel uma cidade mais inclusiva,  construiu-se um passadiço no centro da cidade, que é o maior atentado à paisagem que alguém pode imaginar. Isto quando havia várias alternativas para tornar a vida mais fácil às pessoas com dificuldade em se movimentar. Penafiel está a sofrer na pele as agruras de uma festiva, pomposa e cara (10 milhões) regeneração, que se tornou no maior disparate urbanístico, desde que se tornou cidade,  isto é, desde os tempos do Marquês de Pombal.

Texto publicado hoje no JN
Aqui na íntegra

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